Unicamp inicia greve contra ‘supersalários’

do G1 ) Funcionários e estudantes da Unicamp iniciaram greve, nesta sexta-feira (21), com uma batucada pelo campus . A categoria reivindica fim do pagamento de “supersalários” na universidade – referência a valores superiores ao subsídio de R$ 21,6 mil recebido pelo governador de São Paulo – e a retomada da política de isonomia salarial com a USP. A instituição nega ilegalidade nas remunerações e reflexos.

Durante o protesto, segundo o sindicato da categoria, pelo menos 300 trabalhadores entoaram gritos de ordem e usaram faixas para tentar mobilizar colegas que atuam no Ciclo Básico. Um balanço de possíveis reflexos não foi divulgado pelo Sindicato dos Trabalhadores (STU).

foto de Iuratan Muniz (STU)

foto de Iuriatan Muniz (STU)

Em nota, a  Unicamp frisou que as atividades de ensino, pesquisa e extensão funcionam dentro da normalidade, assim como o atendimento na saúde. “Os 68 trabalhadores que votaram a favor da paralisação correspondem a 0,8% dos 8.517 servidores técnico-administrativos da Unicamp.”
A universidade adiantou que uma reunião com a categoria está marcada para quinta-feira (27).

Servidores fizeram varal para protestar contra supersalários na Unicamp, em Campinas (Foto: Leon Cunha / STU)Servidores fizeram varal para protestar contra
supersalários  (Foto: Leon Cunha / STU)

‘Promessa’
A decisão da categoria pela greve ocorreu durante assembleia na Praça da Paz, em frente ao prédio da reitoria, na tarde de quinta-feira (20). Os funcionários usaram  um carro de som e também montaram um varal para criticar os “supersalários” recebidos por ao menos 915 docentes, entre ativos e aposentados, além de procuradores (quando o teto é de R$ 30,4 mil).

O diretor do STU Iuriatan Felipe Muniz alegou que a isonomia salarial com a USP deveria ter sido executada integralmente até abril, com base em proposta apresentada pelo reitor, José Tadeu Jorge, à época em que ele foi o mais votado pela comunidade interna para assumir o cargo. Após consulta, o engenheiro foi nomeado por Geraldo Alckmin (PSDB), em abril de 2013.

“Quando houve a consulta para escolha do atual reitor, a proposta era de aplicar a isonomia em até dois anos. Houve progressos, mas pelo menos 4 mil dos 8,5 mil técnicos ainda recebem menos do que deveriam. Temos desarticulação do sistema estadual e perda de quadro”, falou.

Explicações para sociedade
Segundo Muniz, a cúpula da universidade alegou que a isonomia não foi totalmente executada por causa de dificuldades econômicas. A Unicamp estimou, na primeira revisão orçamentária deste ano, déficit de R$ 83 milhões até dezembro e adotou plano de contingência para tentar equilibrar as contas.

“Vamos exigir que a reitoria se posicione, pegue o valor extra teto e aumente o piso salarial dos trabalhadores. É uma prioridade que já deveria ter sido resolvida. A gente quer que ela [Unicamp] explique porque os salários não podem ser reduzidos”, criticou o diretor.

Na semana passada, a universidade divulgou pela primeira vez na história a lista com nomes e salários de todos os servidores. A remuneração mais alta chega a R$ 65,2 mil.

Unicamp se defende
Em nota, a universidade justificou que a decisão mais recente do Tribunal de Justiça de São Paulo permite manutenção dos valores superiores ao teto constitucional. “O acórdão reitera a decisão do TCE-SP [Tribunal de Contas do estado] de congelar os salários acima do subteto, impedindo novos reajustes, mas garante a manutenção dos valores decorrentes”, diz o texto.

No início deste mês, o TJ-SP derrubou a liminar que permitia “supersalários” e determinou que a instituição congele valores. Com isso, a universidade estima poupar R$ 2 milhões em um ano.

Polêmica
Tadeu Jorge aparece na lista com duas matrículas – uma delas com salário bruto de R$ 14,9 mil; e de R$ 35 mil na outra. Somadas, as remunerações sem descontos do engenheiro de alimentos superam o dobro do subídio pago ao governador de São Paulo.

A assessoria da Unicamp alegou, em nota, que, os integrantes da cúpula da universidade, entre eles o próprio reitor, o coordenador geral, os cinco pró-reitores, o chefe de gabinete e o chefe de gabinete adjunto da reitoria recebem, além do salário correspondente ao nível que se encontram na carreira docente, uma remuneração específica atrelada ao cargo administrativo.

“Essa remuneração não é incorporável ao salário base, ao contrário do que normalmente acontece com as gratificações de representação. Por conta disso, o sistema de recursos humanos lança esses valores não-incorporáveis num número de matrícula em separado, gerando as chamadas “duplas matrículas”, que também aparecem no caso em que um mesmo servidor acumula cargos obtidos em concursos distintos, sem conflito de jornada de trabalho.”

O reitor da Unicamp, José Tadeu Jorge, durante coletiva sobre o Vestibular 2014 (Foto: Antonio Scarpinetti / Ascom Unicamp)Reitor está entre funcionários que têm duas
matrículas (Foto: Antonio Scarpinetti / Unicamp)

A universidade frisou também que, com relação à composição dos salários, os servidores ingressam na Unicamp por meio de concurso público, com vencimento definido em edital. A assessoria lembra que o servidor, durante a carreira, pode agregar adicionais como sexta parte, quinquênios e gratificações de representação, além de periculosidade e insalubridade.

“Essa progressão normal na carreira pode acabar levando o servidor, após vários anos, a atingir uma remuneração que supera o subsídio do governador do estado”, diz texto da assessoria. A Unicamp exemplifica a justificativa ao mencionar que um técnico com 20 anos de carreira e gratificação tem salário de R$ 22,8 mil.

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